
o olhar desfeito
na coerência do invisível
o remoto
lugar de areias ardentes
onde afogadas as mãos se soltam
o nome dos ventos
o sul do tempo
o sentido rumor
dos séculos imperfeitos
que te escondiam
esperavas
sob a mais alta estrela
o mundo a cercar-te
como se eu te levasse
o livro
pus o meu nome
na roldana do vento
era cedo
como nunca mais
voltaria a ser
gil t. sousa
poemas
2001
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quarta-feira, novembro 28, 2007
O sul do tempo
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Gil Von Doellinger
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flor de sal

não chames por mim
levo nos olhos queimados
o fim dos desertos
não te posso escutar
na branca solidão dos dias
porque até no meu silêncio
te matei
não chames por mim
levo nos passos
o veneno da Lua
a espuma do tempo
sai-me das mãos vazias
e apaga o trilho
por onde as vozes
podem chegar
não chames por mim
levo o peito tão rasgado
de ausência!
e no meu coração
só há
uma vermelha flor de sal
que já ninguém
pode tocar
gil t. sousa
poemas
2001
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Gil Von Doellinger
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